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amor e suas possibilidades


Eu sempre achei que o amor, que o grande amor, fosse incondicional. Que quando houvesse um grande encontro entre duas pessoas, tudo pudesse acontecer. Porque se aquele fosse o grande amor, ele sempre voltaria triunfal. Mas nem todo amor é incondicional. Acreditar na eternidade do amor é precipitar o seu fim. Porque você acha que esse amor agüenta tudo, então de um jeito ou de outro você acaba fazendo esse amor passar por tudo. Um grande amor não é possível e talvez por isso, é que seja grande, para que nele caiba o impossível.” 


Michel Melamed

é tudo uma questão de amor, como sempre.

                      

Matéria frágil é o amor, amor. Por exemplo: uma bomba nuclear e ele já era. Por isso todo casal deveria antes, durante e depois de tudo ser amigo. Só a amizade e a as baratas sobreviverão ao fim do mundo do amor.

(...)

Lembrei dos Paralamas: “Cuide bem do seu amor”. Ao contrário dos filmes e do desejo popular, se tiver de ser será, etc, o amor é o eterno pique até a porta do elevador fechando. Quer dizer, torça para que tenha alguém dentro, que te ouça gritar “segura, por favor!”, e, fundamentalmente, corra na direção dele(a).”


Michel Melamed

Cada pessoa é uma mistura das suas escolhas e desejos...


"A grande questão a ser respondida pelo homem, não é quem sou, mas o que desejo. Nós somos definidos pelos nossos desejos, pelas escolhas que fazemos influenciados por eles. Mas por que os seres humanos costumam fazer coisas que não querem ou que não sabem que querem? Por que costumamos ser tão cegos aos nosso próprios desejos? Essas são as perguntas que nem Freud nem qualquer estudioso da mente humana jamais conseguirá responder com perfeição. Porque além do nosso grande desconhecimento sobre nós mesmos somos confrontados com o acaso ou um acidente o tempo todo.. Mas ainda assim, perdidos em meio ao caos de uma teia de coincidencias, os seres humanos conseguem ter momentos plenos de felicidade e sentido, e é neles que conquistamos a impermanência."


Michel Melamed

“O amor é uma máquina do tempo, e todo desejo, é desejo de voltar”


“O amor é uma máquina do tempo, e todo desejo, é desejo de voltar. E encontrar no amor as pessoas de quem gostávamos(...) mas não é só isso, querer voltar ao passado é querer transformar esse passado quantas vezes forem necessárias.”


texto: Afinal o que querem as mulheres?
foto: Morangos Mofados - CFA

"(...) e pela lei natural dos encontros eu deixo e recebo um tanto..." Novos Baianos



"Que com um simples beijo pode-se
aprender um novo idioma não há dúvida.
Você beija uma chinesa, aprende chinês;
chupão no alemão: alemão; um estalinho
na francesa, oiu. A questão é quando
forem comprovadas as propriedades
medicinais do beijo, e, consequentemente,
da língua, o constrangimento
da família dessa menininha,
na fila de espera por uma lambida
compatível com seu pequenino coração."


Michel Melamed

De língua pra Lua

Há tanto tempo não há tempo para tanto
Miro o muro e vejo o eixo central dessa galáxia inóspita
Miro o belo e meço meramente o mero
Homero vai a luta
O homem vai a luta com Homero
Meramente homem
A união faz a força
E a força faz o que?
A força faz a forca
A força vai a forca

A foca bate palma e sai de foco
O oco foca e fica
A oca fica e faca
Foucault finca a faca
O inca cai, quebra e vira totem
E tem pressa...
E o trem passa
Eu hei de entender o que se passa
Se passar um pouco mais perto de mim
Há tanto tempo não há tempo pra tanto
Há tanto que tento

E troco trovas por momentâneos beijos de amor
Pois quem sabe se sobe ou se desce
Se manda ou obedece
Se emana ou esquece
Ou irmana prece
Quem sabe se levanta ou cai
Se entra ou sai
Se eu se ai
Se bem foi ou vai
Quem se segura ou solta
Quem sabe se vai ou ou volta
Quem sabe se sabe ou apenas quis saber

Porque deveria e há de saber
Quem sabe de quê?
Ou quem quer que saiba
Que saber é ver o não saber
Que beber é só se embriagar
Que comer é só se fortalecer
E que fortaleza também cai
Se eu soubesse que sabia
Não saberia o que fazer
Pois quem caminha

Vai ou vem
Dependendo de quem olha
Ou tenta olhar alguém
Pois se certo fosse o olhar
Olharia o incerto
O acerto se faria
Como deveria ser ou haveria de estar

Se fosse o querer acontecer e transformar
A verdade só quem sabe é a mentira
Que por sua vez sempre mente

Simplesmente
Com um corte no pulso que pulsava
Um pouco de vida que vivia nesse mero pulso
Onde estão os índios?
E os filantrópicos?
E os filatelistas?
E os caçadores de borboletas?
E as borboletas?

Os filósofos se escondem nos bares
O ar começa a ser vendido
Compre já!
Últimos estoques
Estou farto de farpas, furtos e fortes
Meus pés me levam até o para-peito de um prédio
Meu peito pára na calçada da rua mais próxima
Mas o show tem que continuar
A América metricamente se recente de tudo que fez, faz e fará
Planeta Terra
Planeta amputado
Sepultando-se sepultado
Se putas ou putanas

Sepultem esse veneno
E eu aqui tentando minar
Nanir
Ir não vir
Ser não ver
Sou, som, só
O hormônio do meu homônimo
Não é igual ao meu
Choro nas horas vagas
E vago um coração
Alguém quer?


Michel Melamed

Nosso último encontro..

No nosso último jantar
sentamos à mesa e comemos em silêncio (o próprio)
bebemos vinho e não brindamos
só se brinda quando existem planos
naquela noite, naquela mesa
nosso último jantar era a única certeza
alguém que por ventura bisbilhotasse nossa janela
veria talheres e copos flutuando sobre a vela
no nosso último jantar
sentamos à mesa e comemos transparentes
alguém que por ventura bisbilhotasse nossa janela
veria a comida sendo digerida dentro da gente
no nosso último jantar
sentamos à mesa e carcomemo-nos
alguém que por ventura bisbilhotasse nossa janela
nos veria por muito pouco tempo...."
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(Michel Melamed)